Cuco

Cuculus Canorus


Identificação

O Cuco-canoro é uma ave pertencente à Ordem dos Cuculiformes e à Família Cuculidae, que tem de comprimento entre 32 e 34 cm, de envergadura entre 55 e 60 cm e que pesa cerca de 100 gramas. A sua silhueta é marcada por uma cauda comprida, com quase metade do comprimento total da ave e por asas estreitas, compridas e pontiagudas. A cabeça é pequena e o bico é curvo. A plumagem do macho e da fêmea é semelhante, com a parte superior, a cabeça e o pescoço cinzentos, e a parte inferior branca com barras pretas ou castanhas, que formam um padrão de riscas transversais. A cauda é mais escura, quase negra, com as extremidades das penas em branco. Mais raramente, as fêmeas ostentam este padrão, mas com uma coloração ruiva. A vocalização característica do Cuco, que originou o seu nome científico e vernáculo, é muitas vezes o sinal mais óbvio da presença da espécie.

Distribuição

O Cuco-canoro distribui-se desde o Norte de África e Península Ibérica, até à Península de Kamchatka, no extremo oriental da Rússia, passando pelas Ilhas Britânicas, pela Escandinávia, Sibéria, Índia, China, Vietname e Japão. Inverna na África Sub-saariana, no Sul da Índia, no Sudoeste Asiático e nas Filipinas.

Na Europa, a distribuição do Cuco é bastante contínua, ocorrendo em 37 países diferentes, com um efectivo populacional estimado num milhão e meio de indivíduos. As densidades de Cuco estão, aparentemente, bastante relacionadas com as densidades das espécies que parasitam.


Ecologia

É uma espécie bastante ecléctica na selecção do habitat, que é sobretudo condicionada pela presença de hospedeiros. No entanto, rejeita a tundra árctica, as zonas desérticas, as florestas muito densas e as zonas urbanas. Em África, existem registos da invernada em savana e em zonas de coqueiros. Em Portugal ocorre em zonas de montados, pomares, sebes, matas, caniçais e matagais.

É uma espécie migradora, que se desloca para Sul no Inverno e para Norte durante o Verão. Durante a migração, e imediatamente antes da partida e depois da chegada, pode andar em bandos de pequena dimensão. Apesar de não construírem ninho, quando há densidades mais elevadas, os machos defendem território, mantendo-se nas suas imediações ao longo da estação. Após abandonarem o ninho, as crias efectuam movimentos dispersivos errantes, antes de iniciarem a migração para Sul.

Alimentação

Ainda que existam vários casos documentados da ingestão de frutos, plantas, anfíbios e aracnídeos, os Cucos ingerem maioritariamente insectos, em particular lagartas. De uma forma geral, os Cucos detectam as suas presas a partir de um ponto elevado, como uma árvore ou um poste, e depois capturam-nas do solo, de um tronco ou de uma parede, por vezes sem poisar.


Reprodução

Não obstante a existência de alguns casos, embora raríssimos, de fêmeas de Cucos que criaram a sua própria prole, a principal particularidade da Família Cuculidae prende-se com o facto de se tratarem de aves que parasitam outras, que lhes incubam os ovos e lhes alimentam as crias. Só na Europa sabe-se que esta espécie parasita mais de 100 espécies de aves diferentes, embora cada fêmea se especialize numa espécie em particular.

Os Cucos são uma espécie promíscua, ou seja, as fêmeas e os machos acasalam com vários indivíduos. No início da estação, as fêmeas procuram activamente ninhos para parasitarem. Caso a estação já esteja adiantada, podem destruir a postura ou mesmo o ninho encontrado, para que o hospedeiro tenha que fazer uma segunda postura, abrindo assim uma nova oportunidade ao parasita. Uma vez seleccionado o ninho, a fêmea espera uma ausência dos progenitores para dele se acercar, pondo lá um ovo. Ao espalhar os seus ovos por diferentes ninhos, os Cucos asseguram uma maior probabilidade de pelo menos algum deles ter sucesso.

Os Cucos possuem patas bem adaptadas para poderem segurar-se bem em ninhos que não foram feitos para aves da sua dimensão e a casca dos seus ovos é particularmente resistente, para que possam ser largados de alto, sem se partirem. Após a postura, a fêmea de Cuco retira um dos ovos ou crias que já ocupam o ninho, e ingere-o. Frequentemente, os ovos dos Cucos assemelham-se no padrão aos das espécies que parasitam. A incubação demora 12 dias e, com apenas 8 a 10 horas de vida, as crias de Cuco expulsam do ninho os ovos ou as crias do hospedeiro, ficando este disponível para alimentar uma única cria, que muitas vezes ultrapassa a sua própria dimensão. Aos 19 dias de vida as crias de Cuco estão prontas para abandonar o ninho. Reproduzem-se pela primeira vez com um ou, mais frequentemente, com dois anos de idade.

Factores de Ameaça

A perseguição humana através do abate a tiro, da utilização de iscos envenenados e da pilhagem de ninhos, motivada por conflitos associados ao seu comportamento predatório, constitui o principal factor de mortalidade desta espécie.


A perturbação humana em zonas de nidificação e durante os períodos mais sensíveis, provocada por actividades agro-silvicolas, actividades cinegéticas, turismo e lazer, conduz a um abaixamento da produtividade da população e até mesmo ao abandono de territórios.

A alteração dos habitats de nidificação e/ou alimentação devido à construção de infra-estruturas (barragens, parques eólicos, estradas), instalação de regadios, produção florestal, actividade de extracção de inertes.

in " http://www.naturlink.pt/canais/artigo.asp?iCanal=1&iSubCanal=11&iArtigo=4255&iLingua=1
Comentários
"Quem passa pelo Covão da Ponte não esquece, e eu que o diga. Embora já lá tenha estado noutras condições (Inverno), estes dias que passei lá recentemente foram "Show"."
Vítor Marques
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