Ouriço cacheiro

Erinaceus europaeus


Identificação

O Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus é um mamífero pertencente à ordem Insectivora e à família Erinaceidae. A sua identificação não levanta qualquer tipo de problemas, pois trata-se do único mamífero da nossa fauna que apresenta o corpo coberto por espinhos (cerca de 6 mil), que não são mais que pêlos modificados. Estes pêlos bastante aguçados têm entre 2 e 3 cm e cobrem o animal no dorso e flancos.

O ventre, castanho-acinzentado, está coberto de pêlos. Quando se sente ameaçado, enrola-se sobre si próprio, escondendo as suas pequenas patas e as áreas desprovidas de espinhos, transformando-se numa “bola com picos”, bastante difícil de penetrar. Os espinhos possuem anéis alternadamente claros e escuros (com uma banda preta na ponta), que fazem variar a cor dos indivíduos entre o amarelado e o castanho. A cabeça distingue-se facilmente do resto do corpo, os olhos são grandes, as orelhas são relativamente pequenas e possui uma cauda rudimentar.

Não existe dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. O comprimento do corpo varia entre 20 e 35 cm e a cauda entre 10 e 20 cm. Os animais adultos pesam em média 700 g, podendo este valor variar entre 400 e 1200 g. Um animal que não possua, pelo menos, entre 500-600 g terá dificuldade em sobreviver ao período de hibernação.

Distribuição

Esta espécie ocorre na maior parte do oeste europeu, incluindo as Ilhas Britânicas. Já no século XX, a área de distribuição sofreu um alargamento a norte, para a Escandinávia, estando ainda presente na zona mais ocidental da Sibéria e no norte da Rússia. Foi ainda introduzida na Nova Zelândia. Existem bolsas de ausência na área de distribuição, para as quais não existe ainda uma clara explicação. Em Portugal o ouriço é uma espécie abundante, com distribuição generalizada de norte a sul do país. Foi ainda introduzida nos Açores.


Ecologia

De algum modo associado ao Homem, o ouriço ocorre em zonas de cultivo e jardins, bem como em bosques e áreas onde o estrato herbáceo seja abundante.

Os Ouriços-cacheiros são animais de actividade nocturna ou crepuscular. São solitários e territoriais. Os territórios dos machos são cerca de três vezes superiores aos das fêmeas e rondam, em média, os 15-40 ha. Durante a noite podem percorrer distâncias entre um e três quilómetros, sendo que os machos deslocam-se mais que as fêmeas.

Quando o alimento escasseia, e a descida da temperatura torna incomportável a manutenção da temperatura do corpo, o ouriço hiberna. No nosso país só o fazem os animais que vivem em zonas de maior altitude, de clima marcadamente continental. Como já foi referido, antes de hibernar, os animais terão que engordar para ter energia suficiente para o período de hibernação, durante o qual ocorrem uma série de alterações: os indivíduos ficam frios ao toque, tendo a sua temperatura diminuído de 35ºC para 9ºC; ficam imóveis; a respiração pára durante longos períodos de tempo (respiram 1 a 10 vezes por minuto); o ritmo cardíaco passa de 190 para 20 batimentos por minuto; o funcionamento dos órgãos internos é reduzido de modo a poupar energia.

Estando mais vulnerável a predadores enquanto hiberna, o ouriço escolhe cuidadosamente o local para o fazer, construindo um ninho em buracos, em troncos de árvores, no solo ou em rochas. Os abrigos fornecidos pelas construções humanas são também do agrado da espécie.

Alimentação

A dieta destes insectívoros é bastante variada, pois eles comem praticamente um pouco de tudo. Alimentam-se essencialmente de invertebrados terrestres, nomeadamente de insectos (gafanhotos, escaravelhos, moscas, etc.), consumindo ainda minhocas e caracóis. Ovos de aves, pequenas rãs e répteis, cereais e frutos silvestres, tudo pode fazer parte da dieta do Ouriço.


Reprodução

A época de reprodução ocorre de Abril a Agosto (quando os machos estão fecundos), sendo fácil de notar os rituais de acasalamento, pois macho e fêmea andam cerca de uma hora em volta um do outro, enquanto vão fazendo um ruído semelhante ao resfolegar. Depois da cópula, o macho abandona a fêmea e só a ela cabe a responsabilidade de criar os jovens. Podem existir duas ninhadas por ano, com picos de nascimento em Maio-Julho e Setembro.

O período de gestação é de 12 a 13 semanas, após o que nascem 4-6 crias, embora possam nascer entre 2 e10. A mortalidade das crias antes de saírem do ninho é de 20% e ao longo do primeiro ano ronda os 60-70%. Este último valor deve-se em parte a crias que não atingem o peso necessário para sobreviver à hibernação, nomeadamente as da segunda ninhada. As crias nascem de olhos fechados e peladas, mas ao fim de poucas horas despontam os primeiros espinhos. Abandonam o ninho após 22 dias e atingem a maturidade sexual ao fim de um ano.

Factores de Ameaça

Em Portugal é considerada uma espécie não ameaçada. Está incluída no Anexo III da Convenção de Berna, onde se incluem as espécies em menor risco (subcategoria - menor preocupação).

Apesar de não ser a presa principal de nenhum predador, e da sua cobertura espinhosa ser um forte dissuasor de qualquer ataque, há todavia alguns factores de ameaça para este insectívoro. O ouriço é por vezes capturado por raposas, mochos e corujas, águias e toirões. O texugo, devido às suas fortes e compridas garras, tem alguma facilidade em penetrar na cobertura espinhosa, capturando assim alguns ouriços, principalmente os mais jovens.

Outra causa importante de mortalidade para a espécie são os atropelamentos (a maioria de nós já viu um ouriço morto na beira da estrada), principalmente durante o Verão, quando os animais estão mais activos.

Os pesticidas utilizados na agricultura afectam espécies de que o ouriço se alimenta e são também responsáveis por alguma contaminação directa.

Para os animais que habitam os nossos jardins, o uso de máquinas de cortar relva e alguns tipos de lixo podem, igualmente, causar a morte a alguns indivíduos.

No geral, a redução de habitat é a maior ameaça para a espécie. As transformações na prática agrícola nos últimos 40 anos têm reduzido o espaço disponível para a espécie, nomeadamente através da redução das zonas de vegetação de fronteira entre diferentes culturas ou propriedades (pelo aumento de tamanho das explorações agrícolas) e o uso crescente de pesticidas.

in " http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=4315&iLingua=1
Comentários
"O Covão da Ponte é sem dúvida um daqueles sítios mágicos que nos leva a sentir alguma responsabilidade no momento de o mostrarmos a outras pessoas. A ligação que o espaço estabelece connosco é tal que tudo ali nos faz bem... "
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