Lobo Ibérico

Canis lupus signatus


Identificação

O lobo da Península Ibérica é uma subespécie do lobo cinzento (Canis lupus) e a sua população deve rondar entre 1600 e 1700 lobos; destes, 150 a 200 habitarão o nordeste transmontano. Um pouco mais pequeno e leve que as restantes subespécies do lobo cinzento, o lobo ibérico mede entre 131 e 178 cm de comprimento (machos) e 132 cm e 165 cm (fêmeas) e pesa, no caso dos machos, entre 20 e 41 kg (média 32 kg) e, no caso das fêmeas, entre 20 e 36 kg (média 28 kg).

Carnívoro de grande porte, sendo actualmente o maior canídeo selvagem. Região anterior do corpo bem desenvolvida e região lombar forte, arredondada e ligeiramente encurvada. Patas dianteiras ligeiramente maiores que as posteriores. Cauda espessa quase sempre caída entre os membros posteriores quando se desloca. Cabeça volumosa e alongada, de aspecto maciço e focinho largo. Orelhas rígidas e triangulares, relativamente curtas e pouco pontiagudas. Olhos frontalizados, oblíquos em relação ao focinho e cor de topázio. Corpo relativamente comprido e membros compridos, estreitos e fortes, com patas volumosas. Pelagem do tronco é castanho amarelada; o focinho, ruivo com tons de intermédios entre o canela e o amarelo canela, apresenta uma região mais clara, em tons de branco sujo, que parte obliquamente da garganta até ao ângulo externo do olho. As orelhas apresentam, externamente, manchas avermelhadas, sendo de cor creme do lado interno. A nuca, tal como o peito, é de cor parda. A garganta é castanho avermelhada na base, apresentando tons de bege a castanho na restante superfície, dorsalmente, o pescoço é da cor do dorso. Este é marcado por uma lista negra, que se estende do pescoço à cauda. Os membros têm uma coloração entre o castanho e o bege, internamente, e o castanho e o ocre, externamente. Exibem, longitudinalmente, na região anterior, uma lista negra muito bem definida, mais visível no Inverno. A pelagem de Inverno apresenta tons mais escuros e é mais densa que a pelagem de Verão.

Como animal de carácter esquivo e hábitos nocturnos, a sua observação no meio natural torna-se puramente um golpe de sorte. Contudo, são frequentes os indícios da sua presença - dejectos de cor variável, exibindo quando frescos tons escuros e um odor muito característico, sendo depositados no solo ou em pequenos arbustos ao longo de caminhos ou encruzilhadas; pegadas, muito semelhantes às do cão, mas que em conjunto formam um trilho bastante rectilíneo. São ainda possíveis identificar restos de presas resultantes dos seus ataques, os quais apresentam diferenças em relação aos ataques proferidos por cães.


Ecologia

Embora cace quase sempre sozinho, o lobo vive em alcateia. O número de animais em cada alcateia parece variar entre 3 a 5 indivíduos no fim do Inverno e entre 7 a 10 animais no Verão, após o nascimento dos lobachos. Estas alcateias parecem ser compostas por dois animais reprodutores, por outros animais adultos e subadultos (descendentes ou não do par reprodutor) e pelos lobachos que nascem em cada ano.

Os locais habitados por lobos caracterizam-se por baixa pressão humana, embora com elevada taxa de actividade pecuária e uma topografia acidentada. De actividade essencialmente nocturna, podem percorrer num só dia cerca de 20 a 40 km à procura de presas.

Alimentação

A alimentação é muito variada, dependendo da existência ou não de presas selvagens e dos vários tipos de pastoreio presentes em cada região. As principais presas selvagens do lobo são o javali, o corço e o veado, e as presas domésticas mais comuns são a ovelha, a cabra, o cavalo e a vaca. Ocasionalmente também mata e come cães e aproveita cadáveres que encontra.
Vive um máximo de 9 anos.


Reprodução

Atingem a maturidade sexual por volta dos 2-3 anos de idade. Apenas se reproduzem uma vez por ano – fim do Inverno ou início da Primavera (Janeiro a Junho) – altura em que ocorre o acasalamento. Geralmente acasalam para toda a vida e, usualmente, apenas o par alfa se reproduz. Após um período de gestação de cerca de 2 meses, as crias, entre 3 e 8 lobitos, nascem em tocas ou buracos situados em zona de vegetação densa, debaixo de rochas, em grutas ou aproveitando e alargando tocas de raposa. As crias nascem com os olhos fechados e têm inicialmente necessidade constante dos cuidados maternais.

Por volta dos 11 a 15 dias de vida, abrem os olhos, mas só começam a ver relativamente bem já com várias semanas de idade. Nesta fase, as crias têm os seus movimentos bastante limitados, só movimento-se apenas junto à toca e com a progenitora sempre na sua proximidade. Em finais de Outubro saem dos locais de criação e iniciam a sua aprendizagem de caça.

Factores de Ameaça

Ao contrário do que se pensa, o lobo não é perigoso para o homem, sendo bem mais verdade o contrário. Durante o século XIX, os lobos eram numerosos em Portugal, estando presentes em praticamente todo o território nacional. Contudo, já no início do século XX era visível o seu declínio e apesar do actual estatuto de conservação do lobo, os estudos até agora realizados sugerem que a sua população continua a diminuir Portugal. Às causas históricas do seu declínio, como sejam a perseguição directa e a das suas presas selvagens pelo Homem, acrescem, nos últimos anos, as alterações de habitat (devido sobretudo à destruição da floresta) e a diminuição do número de cabeças de gado (devido ao abandono da pastorícia tradicional).


Embora protegido por lei, o lobo é capturado e morto ilegalmente, verificando-se, inclusivamente, o abate de lobitos nas tocas. Isto resulta do ódio que o lobo desperta por atacar os animais domésticos. De facto, a escassez de presas naturais, provocada pela excessiva pressão cinegética sobre os cervídeos e pela destruição do seu habitat, leva a que, de facto, os lobos por vezes ataquem os animais domésticos. No entanto, em áreas onde as presas naturais abundam, os prejuízos provocados pelo lobo no gado são quase inexistentes.

Ao mesmo tempo, pensa-se que presentemente existam centenas de cães abandonados a vaguear pelo país, que competem com o lobo na procura de alimento e que com ele podem hibridar, sendo provavelmente responsáveis por muitos dos ataques a animais domésticos incorrectamente atribuídos ao lobo.

in " http://www.bragancanet.pt/patrimonio/faunalobo.htm
in " http://carnivora.fc.ul.pt/lobo.htm
Comentários
"Muitos parabéns à pessoa que pensou este cantinho onde eu vim parar por acaso. É maravilhoso! Gostei imenso de o percorrer e virei aqui tantas vezes quando a saudade do meu PAÍS se fizer sentir."
Rosa Correia
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